Na matinê. -causay\

Na matinê. -causay\
Sábado, vontade de dançar, nome na lista... Eu na Snooze.
Vontade de dançar é pouco pro que eu tava hoje, eu tava é com a macaca! No que tocou 3, da Britney Spears, logo no começo, eu levantei, comecei a dançar sozinho, e cotninuei dançando loucamente até o final! Foi uma festa como tem que ser: bastante Britney Spears! 3, Radar, Womanizer e Toxic! Nem precisa dizer que quando tocou Womanizer eu saí correndo e comecei a dançar loucamente, e que quando tocou Toxic, eu só não saí correndo e gritando porque eu já estava na pista! Nossa, Toxic... Eu comecei a dançar com gente que eu nem conhecia, que aliás não gostaram da ideia! Um cara começou a correr gritando de mim (literalmente), quando eu comecei a dançar com ele! Eu subi no cubo, e comecei a dizer "You're toxic!" Pra gente que eu nem achava tão bonitas assim! Com certeza, o ápice da festa!
Bom, mas em uma dessas músicas mais felizezinhas, como Lady Marmelade, ou o que quer que fosse, apareceu um menino, que começou a brincar de empurrar. Por mim tudo bem, brincar de pseudo- bate cabeça é comigo mesmo! Me assustei um pouco, porque a música super não estava combinando! Mas vamos lá, né! O que não mata, engorda! Tá, paramos de brigar, e em um dos momentos que eu tinha pego para descansar, porque a música não estava das mais empolgantes, começou a tocar The Killers: Somebody Told Me. O que quer dizer, pelo menos no meu mundinho pequeno: Bate cabeça generalizado no Boca Club! Saí correndo, e talvez tenha sido forte demais, com certeza foi muito de repente, mas a questão é que empurrei o garoto que parecia simpatizar com a ideia de bate cabeças! Depois de empurrá-lo. Ele surtou! Olhou para a minha cara com uma cara de "se eu tivesse um objeto duro [e força] seu cérebro estaria no chão agora!" E começou a me dar socos! Uns dois ou três socos na área do peitoral, e um soco no queixo. Eu me afastei, tudo bem, tem gente louca no mundo! Me afastei, fui pra longe da pista, dispenso The Killers, de boa.
De repente, ele começou a passar, eu virei pra ele e disse "Pô, foi mal se aquela hora eu fui com muita força em você!" Ele nem me falou se desculpava ou não, não chegou perto de pedir desculpas pela agressão que ele tinha feito, que tinha sido aliás bem maior que a minha, só falou, meio com o segurança (que eu não tinha visto até essa hora) e meio comigo: "É! Fala pra ele que foi você que começou!" De repente, eu tinha um segurança me segurando e me tirando de dentro da matinê! Eu comentei com ele que eu só tinha ido porque achava que ele gostava disso, ele responde que aquela hora nós estávamos só brincando (é... Mas essa hora meus planos também eram só brincar.) Bom, o segurança que nos tirou disse pro segurança que será chamado de o segurança malvado: "As crianças aqui estão querendo brincar de bater!" Os seguranças começaram a dizer que se era pra brigar, que nós brigássemos na rua e blá. Eu falando de vez em quando que eu não sou de brigar, nunca tinha entrado em nenhuma briga. Quando de repente... OPS! Estou sem a minha mochila, que está na chapelaria. "Oi, eu posso só ir pra chapelaria pra pegar minha mochila?" O segurança malvado recusava! Ele não queria que eu fosse, eu insisti, insisti e insisti, até que outro segurança apareceu e me acompanhou até a bendita chapelaria! Chego lá, pego minhas coisas, estou saindo, e cáspita! Acho que esqueci o elástico da Amã em cima do balcão da chapelaria! E eu vou ter que pedir pra voltar. Medo. Ai, que que eu faço, que que eu faço? O segurança malvado já me falando pra eu me afastar de lá, que ele não me queria na entrada da balada. Quando eu olho pro meu pulso, ufa! Lá estava o elástico dela!
Decidi que eu precisava falar com a Maryon e com a Amã, afinal, elas não sabem de nada do que houve! Liguei pra Maryon, quando de repente, um segurança me chama pra junto dele e me agarra me pergunta como eu vou fazer pra voltar pra casa, eu digo que de metrô. "Você quer voltar pra dentro?" Eu fico com a minha maravilhosa cara de ponto de interrogação (às vezes realmente acho que minha cara toma uma forma de "?" quando estou com dúvidas!) e falo "Dentro da balada?" "É!" "Hum... Tá...?!" "Você quer?" "Tá bom!" "Você quer ou não quer?" "Quero." E lá estou eu dentro da festa de novo! Conversei um pouco com as meninas, e decidimos que já tínhamos aproveitado demais.
É... Já tínhamos aproveitado demais!

Mauro Vilela Pietrobon
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# Posté le samedi 21 novembre 2009 20:28

Corrosão.

Corrosão.
Remi Valet La Ronoopibu

Eu acordei. Quarta-feira, dia praticamente de folga, na escola, todas as aulas mais fáceis. As aulas hoje começam mais tarde do que de costume... Não um pouco mais tarde, duas horas mais tarde. Tomei meu banho, fui pra escola pra sofrer na primeira aula da manhã. Alemão. Foi uma das piores aulas de alemão do ano, e nenhuma aula de alemão do ano foi legal! Depois tive minha aula de matemática, o que nunca chega a ser ruim!
Voltando pra casa, pro almoço. Cheguei, e pouco tempo depois, minha mãe começou a brigar com o meu pai, como de costume! Já não aguento mais! Fiquei quieto no meu canto, comendo a comida, sem olhar para eles. Isso já virou insuportável! Não quero mais viver com a minha mãe. Aliás, eu não quero só deixar de viver com a minha mãe, eu quero tornar a vida dela um inferno! Depois de dezesseis anos com ela gritando, brigando comigo sem motivos, sendo chata, sendo mais louca do que qualquer mulher que eu já conheci! Não dá mais! Ela é muito problemática demais da conta! Aliás, eu me pergunto se o suicídio realmente faria com que ela ficasse tão triste a esse ponto! Não sei que que acontece depois disso! Só sei que é uma tentativa boa! Eu que mal consegui me vingar de quem quer que fosse. Seria minha primeira e última vingança. A maior vingança já experimentada, nenhum pouco cinematográfica, difícil de colocar nas telas de uma maneira que fosse agradar o público! Mas sem dúvidas, uma vingança fantástica! O suicídio sempre foi uma coisa que me apaixonou! Sempre pensei em cometer suicídio, vários dias de minha vida. Não duvidei nem um único segundo da minha vida que minha morte pudesse vir a ser causada por alguém que não fosse eu mesmo. Talvez tenha chegado a hora afinal. Sempre tinha imaginado que eu cometeria suicídio por excesso de felicidade. Mas não, esse suicídio vai ser por vingança, mesmo! Quando vi, já tinha terminado de comer, olhei para as minhas unhas, estavam longas, faziam uns dias que eu me arranhava feio quando ia me coçar. Vai ser esse o jeito.
Sem falar nada, subi correndo as escadas, passei no banheiro dos meus pais, peguei a tesoura de cortar unha e o cortador, para a mão direita, fui até o meu quarto, liguei o ventilador, cortei todas as minhas unhas, e enquanto passava a tesoura pelo meu pulso esquerdo, não pude deixar de pensar que talvez eu fosse acabar me vingando de quem não merecia tanto assim. Apesar de dezesseis anos, só, acho que já tenho algumas amizades relativamente sólidas. É, mas não dá mais pra pensar nisso.
Na verdade deu. Eu não consegui, estou internado no hospital, devem achar que eu pirei totalmente. Minha mãe passou algumas vezes pelo meu quarto, e eu nem abri os olhos, uma única vez abri os olhos e dei uma pequena desabafada, não grande coisa. Meu pai entrou, uma única vez. Eu continuei de olhos fechados atgé ter certeza de que era ele, mesmo! Ele está aqui agora, conversando comigo. Confessei pra ele que o meu plano era me vingar de minha mãe, que eu não aguentava mais aquela mulher pegando no meu pé! Ele disse simplesmente que fazia sentido, mas que não achava que eu fosse cometer suicídio pra isso. Continuamos conversando um pouco, eu tentei mostrar em palavras toda a raiva que eu senti dela durante a minha vida. Até que ele entendeu que eu tinha, sim, um objetivo maior, meu ato não teria sido tão egoísta assim. Alguns segundos de silêncio. Ele começou a apertar meu pescoço, de primeira eu quase o agradeci, mas depois tentei dizer-lhe que talvez não fosse uma boa ideia, poderia acabar caindo nele. De qualquer jeito, consegui minha vingança, afinal. Ou será que consegui mesmo?
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# Posté le vendredi 20 novembre 2009 20:41

Corrosão.

Corrosão.
Remi Valet La Ronoopibu

Acordei, e comecei a ler mais um livro da minha longa coleção. Nana, do Zola! Sem dúvidas seu melhor. Me deitei na cama e fiquei lendo, lendo, lendo! Passei a manhã toda lá, com a barriga pra cima, quando de repente, ela me chamou para almoçar. O dia começou bem! Deve continuar ótimo! Desci então as escadas, peguei um prato na pia para comer, quando de repente ela começou a reclamar que eu não faço nada de útil, que meu filho e eu só sabemos reclamar, que ninguém tem responsabilidade nenhuma nessa casa, que só ela faz tudo. O mesmo discurso de todos os dias! Tem uma prostituta em cima da minha cama, querida, eu tenho coisas mais interessantes com as quais me preocupar!
Continuamos conversando sobre nada, só jogando conversa fora. Enquanto isso eu pensava mais em continuar lendo Zola, depois de terminar Nana, poderia passar para L'Assomoir! Outro maravilhoso! Bom, depois penso nisso. Meu filho subiu correndo as escadas, nem tinha percebido que ele estava ali. Continuei jogando conversa fora, até que deu um certo horário que minha mulher viu, e falou que o infeliz já estava atrasado pra aula! Como ele faz pra chegar atrasado morando a três quadras da escola? Isso é uma coisa que eu nunca compreenderei! Ele não respondeu às chamadas da sua mãe... Deve estar cagando! Ela me pediu para ir ver o que estava acontecendo, subi e ao entrar no quarto dele, percebi que o dia seria muito mais do que continuar lendo Zola. Ele estava com uma tesoura de cortar unha em uma mão, o pulso da mão esquerda sangrando, no quarto dominava o vermelho. Não me surpreendeu, na verdade! Toda essa felicidade não poderia ser tão genuína! Peguei-o calmamente e o levei escada abaixo.
Decidimos que o melhor a fazer seria levá-lo ao hospital. Chegando lá, decidiram que ele ficaria internado, pouco mais de uma semana depois dele ser mandado para lá, eu fui visitá-lo. Abri a porta, ele não se mexeu, deitado. Peguei a mão dele, e assim que comecei a medir o pulso, ele abriu os olhos e me disse:
- Ah, é você! Ainda bem...!
Eu tive um susto bem leve, mas consegui esconder.
- Quer dizer que eu não consegui, hein! Droga!
Nessa hora percebi o que deveria fazer, peguei seu pescoço e estrangulei-o até que ele não respirasse mais, definitivamente. Fiz a coisa certa, não tenho dúvidas! Ele estava claramente infeliz, e não queria continuar vivendo, pra quê? Às vezes penso que ele tinha razão.
Agora, mal posso pensar em grande coisa, depois de passar pelo tribunal, mulheres cuspiam no meu rosto, me chamando de assassino, me dizendo nomes dos quais eu nunca tinha sido tratado antes. Procurei a minha mulher, ela não parecia estar lá... No que estaria pensando? Bom, acho que nunca mais verê-la, porque da prisão eu não devo sair...
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# Posté le jeudi 19 novembre 2009 17:07

Corrosão.

Corrosão.
Remi Valet La Ronoopibu

Hoje o almoço não vai ser dos melhores... Mas vai! Só assim aprendem a fazer alguma coisa de bom! Tudo que acontece nessa casa, sou eu que faço! Bom, mas vou colocar a comida na mesa... Os pratos na pia... Ah! Ótimo, ele já foi pegá-los.
- Ah, mas eu não creio! Sempre a mesma coisa! Aqui todo o mundo só sabe pensar em si mesmo.
Ele decidiu que só ia pegar o prato pra ele! Incapaz de perceber que eu também estava sem prato, estou ficando cansada, todo o dia a mesma coisa!
- Ah, mas eu pensei que talvez você fosse pegar um pouco de comida lá, mesmo!
- Que comida! Não tem comida na pia!
- Ah, eu não prestei atenção...!
- Esse é o problema! Você nunca presta atenção, nunca ninguém presta atenção em nada nessa casa!
Essa risada, o pior de tudo é que ele fala isso rindo, acha engraçado não ter visto isso. Bom, vou me acalmar, falar sobre coisas simples e felizes...
- Está gostando da linguiça?
- É... Tá boa...!
Começamos a falar sobre coisas totalmente irrelevantes para o que quer que seja. O meu filho está meio quieto, hoje. Bom, ele deve estar pensando em alguma coisa qualquer da escola, deixa ele! Bom... Tá certo que ele poderia ter ao menos levantado a cabeça durante o almoço, mas tudo bem. Eu continuei a conversa como que inconscientemente, nem prestando muita atenção no que estava sendo dito. Quando ele olhou para as próprias unhas, deixou o prato na pia e correu escada acima.
- Filho! Trás a calça aqui pra baixo pra marcar a barra, quando for descer!
Bom, ele não respondeu, não deve ter ouvido, tudo bem! Quem vai ter que subir as escadas uma vez a mais é ele, não eu. Tanto faz... Essa linguíça está realmente muito boa, orgulho de mim mesma!
Já está na hora dele voltar pra aula, e ele ainda nem deu sinal de vida!
- Filho! Cadê você? Filho! Ah...! Vai ver o que ele aprontou dessa vez!
Deve estar lendo um dos... dos... aqueles trecos que ele lê o tempo todo. Ah, mas eu não assino mais atrasos pra ele, não! Se ele chegar atrasado na escola, agora, é problema dele! Ah, já está descendo as escadas, melhor! Ou será que é o pai dele? Nunca consigo distinguir o passo deles, deve ser ele, a pressa é dele!
- Filho, você vai chegar...
Dei o maior grito da minha vida. Ele estava cheio de sangue no braço esquerdo! Tinha cortado o pulso. Sem dizer nada, levamos-no ao hospital! Fomos o mais rápido possível ao hospital mais próximo! Passamos na frente de muita gente, pois o nosso caso era claramente uma das maiores emergências.
Agora, ele está internado no hospital, em um dos momentos em que acordou, me viu e me perguntou se estava realmente vivo, ainda. Dizem que aqueles que tentam suicídio se arrependem, e começam a dar outro valor à vida depois disso. O rosto de meu filho não pareceu em nenhum momento dizer isso. A expressão dele era mais de desprezo, por ter falhado em sua teoricamente última missão. Ah! Esse menino vai ouvir poucas e boas quando sair do hospital!
E quem disse que ele saiu? Não só ele não saiu do hospital, como meu marido foi prum lugar ainda pior, ele foi preso, por ter matado nosso filho. Não imaginava que ele seria capaz de tal ato. Mas pensando um pouco melhor, até faz muito sentido! Se o nosso filho não gostava da vida, alguém tinha que acabar com o seu sofrimento. É... Taí um bom jeito de acabar com o próprio sofrimento...
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# Posté le mercredi 18 novembre 2009 19:50

Modifié le mercredi 18 novembre 2009 20:00

MPB

MAURO: Olha, eu tenho um celular novo! Agora EU poderei escolher a música do foyer!
MARIA CLARA: É! Você vai colocar Britney Spears e eu vou ficar tão brava com você!

# Posté le mardi 17 novembre 2009 12:29