Momento constrangedor é o momento no qual você entra no elevador com alguém desconhecido, e lá estão vocês dois, só duas pessoas que não se conhecem num espaço minúsculo. Certo, muito bem, isso nem sempre é constrangedor em si, mas em geral é por um motivo muito simples: cada pessoa tem sua própria personalidade, e em geral as pessoas são tímidas demais pra simplesmente começar a conversar com um desconhecido no elevador. Mas o pior destes dois elementos é a personalidade (ou o estado) de cada pessoa! Imagine, você entra num elevador com alguém que parece meio triste, você quer perguntar o que aconteceu, mas você não quer parecer indiscreto, logo você acaba não perguntando! A pessoa pode acabar ficando mais triste por perceber a indiferença humana, pode ficar um pouco aliviada por você não ter se intrometido ou pode nem perceber o que aconteceu. Mas não é só uma pessoa dentro do tal elevador que tem uma personalidade e um estado! Agora, eu colocarei duas personalidades com estados muito precisos dentro deste tal elevador.
AMANDA: Uma jovem de 19 anos que estava namorando até cinco minutos atrás. Ela terminou seu namoro com Pedro porque não tinha mais amor, ela não sentia mais nada por ele, e tinha a impressão de que ele também ia a cada vez menos apaixonado por ela. Ela então finalmente decide terminar com ele, ele não chorou, ele já esperava por isso, já imaginava que, se ela não o tivesse feito, ele teria feito em não muito tempo. Ela também não chorou, ela terminou com ele, se alguém estava realmente insatisfeito com a história, era ela. Mesmo assim, terminar um relacionamento é sempre triste. Ela aperta o botão do elevador, depois do provavelmente último beijo que ela daria em Pedro e espera o elevador chegar ao seu andar, o 14.
HUGO: Um adolescente de 16 anos que não tem nada do que reclamar sobre sua vida, seu pai viajou, mas ele ficará durante poucos dias na casa de amigos. Ele está, sem motivo, usando chapéu e ele está se sentindo particularmente bobo nestes últimos dias, sem mais o que fazer da vida, fica simplesmente se mexendo aleatoriamente por todos os lugares onde ele está. Ele estava saindo para passar na sua casa pra arrumar sua mala, feliz e contente, quando vê que o elevador passou reto pra cima pelo 10º andar, ele aperta o botão e espera, mexendo no seu bonito chapéu.
Quando Hugo entra no elevador, usando aquele chapéu que nenhum adolescente comum sairia pela rua usando, Amanda teve um pequeneníssimo susto. Hugo simplesmente disse "Oi" e ela disse "Oi", e o elevador começou a descer, descendo e descendo, essas duas personagens não faziam nenhum contato. Ela parada pensando um pouco na vida, pensando que agora talvez teria mais liberdades, ou talvez ficasse um pouco mais infeliz. Ele com a cabeça vazia, dava olhadelas para si mesmo no espelho, começa a encher um pouco as bochechas de ar, até que ele encheu bastante as bochechas, meio intrigado, começou a pensar "O que será que a menina estará pensando de mim? Gente, ela parece meio triste..." Continuou enchendo as bochechas de ar e foi nesse momento que as duas personagens se conheceram. Hugo encheu tanto as bochechas, que um pouco de ar saiu pela boca, foi quando ele decidiu assumir! Se é pra tirar o ar da boca, vai fundo! Ele começou a tirar todo o ar da boca, fazendo um barulho de peido, que ambos sabiam, não era um peido! Amanda poderia ter pensado que era, mas peido nenhum no mundo seria tão longo, até que ela olhou para Hugo, o viu com as bochechas inchadas esvaziando-se, e somente quando acabou todo o ar que foi o momento mais quente de todo o relacionamento que eles tiveram até então: Hugo começou a rir tanto, mas tanto, que Amanda de repente, viu como aquilo era incomum e engraçado, aquilo tinha sido tão inesperado e perfeito! Depois de darem boas risadas, enquanto o elevador parava, Amanda abriu a porta do elevador, deixando passagem para Hugo, que passou, agradeceu, e então se despediu, ela também se despediu, ainda dando uma risadinha. Tinha acabado de interagir com uma pessoa, que apesar de achar absolutamente engraçada, achava que perderia toda a mágica se conhecesse melhor.




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Joaquim Basso, Posté le mardi 11 août 2009 14:27
Parabéns pela menção honrosa, meu! Post mto bom. Hoje mesmo me deparei com uma situação similar num elevador... Mas não fiz barulho de peido... hehehe... Abraço!